sábado, 27 de agosto de 2016

Asteroide com 40 metros de extensão vai passar de raspão pela Terra.


Os astrônomos Cristóvão Jacques, João Ribeiro de Barros e Eduardo Pimentel, responsáveis pelo Observatório do Sul para Pesquisa de Asteroides Perto da Terra (Sonear, da sigla em inglês) instalado em Oliveira, no Centro-Oeste de Minas, fizeram uma importante descoberta durante a madrugada deste sábado (27). Às 3h20 eles flagraram um asteroide de 40 metros de extensão prestes a passar de raspão pela Terra.

A rocha espacial passará a 86 mil quilômetros da superfície do planeta – o que equivale a menos de um quarto da distância até a Lua. A observação máxima deverá ocorrer às 22h25, hora de Brasília, neste sábado. O pouco tempo de observação impede que os especialistas consigam determinar a órbita exata, mas eles afirmam que não há risco de colisão.

"Estou bastante impressionado. Quando o achamos, ele estava a 685 mil quilômetros de distância. Em menos de 24 horas já estava a pouco mais de 86 mil. Enviamos nosso registro ao Minor Planet Center, nos Estados Unidos. Esse órgão centraliza as informações de astrônomos do mundo todo. Eles perceberam que esse objeto que detectamos passará pela Terra a 86 mil quilômetros", explicou Cristóvão Jacques.

Órbita de asteroide descoberto pelo Sonear (Foto: Sonear/Divulgação)Órbita de asteroide descoberto pelo Sonear neste
sábado (Foto: Sonear/Divulgação)
O tamanho da rocha espacial equivale a duas vezes a proporção do meteoro de Chelyabinsk, que em 2012 rasgou a atmosfera sobre a Rússia e produziu uma onda de choque que danificou mais de sete mil edifícios e feriu mais de mil pessoas.

Autor de vários livros sobre o espaço sideral e colunista de ciência do "Jornal das Dez" da GloboNews, o jornalista Salvador Nogueira afirma que essa e outras descobertas já feitas pelo Sonear contribuem para mudar a percepção sobre o universo.

"Gostemos ou não, a essa altura os astrônomos já sacaram que estamos em meio a um interminável campeonato de tiro ao alvo espacial. Estima-se que uma colisão desse porte ocorra em média a cada 100 anos, mas nada impede que esse número tenha sido subestimado. Afinal, não éramos bons em monitorar o globo inteiro em tempo real, que dirá asteroides próximos, até muito recentemente. Uma hora é inevitável que encontremos um bólido celeste que ofereça algum nível de ameaça e tenha nosso nome grudado nele. Felizmente, não será hoje. Por outro lado, você pode esperar relatos similares a esse com certa frequência a partir de agora", comentou. G1



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