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Empresários com comércios nas proximidades da ponte sobre a BR 242, no centro de Barreiras, reclamam que antigos moradores que residiam sob a ponte, estão utilizando o gradil de uma praça localizada na rua Hermenegildo Fé, como varal para estender a roupa lavada no rio Grande.
A pedido dos comerciantes fui conferir de perto a situação e me reportei a 1985, quando aqui minha família chegou e fomos obrigados a ficar dez dias com a mudança em cima de um caminhão na entrada da cidade até conseguir uma casa para alugar, o que não era fácil à época devido ao grande fluxo de imigrantes que vinham para Barreiras após adquirirem terras no cerrado baiano. Era comum chegarem 20 caminhões de mudanças por dia e a disputa por aluguel era ferrenha. Durante o período de dez dias que ficamos acampados no antigo posto Carreteiro, minha mãe, por várias vezes, foi obrigada a ir até o rio Grande para lavar louças e roupas. Essa rotina acabou quando conseguimos alugar uma casa em Barreirinhas.

Esse breve relato sobre a chegada de minha família em Barreiras foi avivado pela cena de lençóis, cobertas e roupas estendidas no gradil da praça que fica na entrada cidade e por ser região de grande fluxo de veículos de barreirenses ou que vem de outras cidades ou estados, pode transmitir aos passantes, uma sensação de cidade parada no tempo, sem lei e abandonada pelo Poder Público. Uma cidade em que os moradores se orgulham em dizer que é a ‘Capital do Oeste’, em pleno 2017, não condiz com esse tipo de cena.
Preocupado com a situação fui até Gabriela Nogueira, secretária municipal de Assistência Social e Trabalho para saber o que a atual gestão está fazendo para prestar assistências às 19 pessoas, incluindo crianças, que estariam morando embaixo da ponte, utilizando as duas cabeceiras. O que me chamou a atenção também foi a situação de abandono em que se encontra a praça, que foi construída por uma empresa de Barreiras e repassada para o município.

Em nota enviada pela diretoria de imprensa fui informado que há pouco mais de dois anos foi implantado em Barreiras o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua – CentroPOP, que destina-se ao atendimento daquelas pessoas ou grupos familiares que se utilizam dos espaços públicos como moradia ou sustento, a exemplo de pontes, marquises, praças, locais de intensa circulação de pessoas, dentre outros.

Veja na íntegra a nota envida pela Dircom:

De acordo com um estudo realizado com a população de rua de Barreiras, em 2016, identificou-se que os moradores de rua em sua grande maioria são homens jovens, com idade entre 31 e 40 anos, cujos vínculos familiares foram interrompidos ou fragilizados especialmente devido ao alcoolismo ou abuso de drogas ilícitas. O estudo também revelou que boa parte deles realiza algum tipo de atividade para assegurar a sobrevivência.

Embora fiquem expostos a agressões e outras formas de violência ao dormirem nos espaços públicos, submeter-se às normas existentes em abrigos é considerado um desafio maior por boa parte dos moradores de rua que, por vezes, preferem passar a noite nas ruas.

Quem passa pela ponte situada na BR 242 pode notar a presença de moradores de rua fazendo uso da praça anexa. O que não é do conhecimento da população, contudo, é que trata-se de um mesmo grupo familiar, com cerca de dezenove membros, envolvendo quatro gerações.

Em setembro de 2015, profissionais do Centro de Referência de Assistência Social – CRAS reuniram-se na 6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Barreiras para definirem estratégias de intervenção junto a esta família. Desde então a família do senhor J.M.J. foi contemplada com duas casas do Programa Minha Casa Minha Vida, além da concessão do benefício de prestação continuada – BPC, bolsa família e cestas básicas.

Em recente abordagem social realizada pela equipe do CentroPOP, o patriarca da família confirmou que os familiares estão residindo nos imóveis, acrescentando que nos fins de semana a família costuma ir à ponte para lavar roupas no rio.

Dentre as famílias que serão objeto da intervenção do CentroPOP, a “família da ponte”, como é conhecida há vários anos, é uma das que serão acompanhadas regularmente, especialmente, pela presença de crianças e adolescentes, o que exigirá uma firme articulação com o Conselho Tutelar.

A equipe do CentroPOP conta com assistente social, psicóloga, sociólogo e educadores sociais que estão atualizando o mapeamento da população em situação de rua do município.

O serviço funciona nos dias úteis, das 8h00 às 18h00, onde os moradores de rua podem receber orientações técnicas, encaminhamentos para serviços diversos, guardar seus pertences, além de cuidar a higiene pessoal.

O CentroPOP atua na perspectiva do resgate dos vínculos familiares e desenvolvimento de sociabilidades, visando contribuir para a construção de novos projetos de vida respeitando as escolhas de seus usuários.

Apesar da nota oficial informar que os moradores não residem mais embaixo da ponte, o que vi é que eles estão com barracas e estruturas que parece indicar o contrário. (Jornal Nova Fronteira)


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