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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Oeste baiano - Ribeirinhos cantam e fazem cortejo pedindo chuva para abastecer o Rio Grande.

No povoado Taguá, que faz parte do município de Cotegipe, no oeste da Bahia, moradores ribeirinhos pedem socorro ao céu. Com poucas chuvas, eles cantam em cortejo pelas ruas com a expectativa de que o Rio Grande resista à seca. É uma espécie de ritual.


Quase quatro mil ribeirinhos têm visto o nível da água atingir menos 10 centímetros de profundidade em alguns trechos. Quem cuida da medição do nível do rio é o seu Antônio Ferreira Costa. Ele aprendeu o ofício com a mãe há mais de 50 anos e conta que está triste. "Eu tenho muito sentimento, porque do tempo que sou gente nunca vi o rio do jeito que está aí. Nós bebe dele [sic], nós toma banho dele [sic]. Se secar, nós vamos para onde?"

Até mesmo a navegação está difícil. Em alguns pontos, é possível tocar o fundo do rio com o remo, que tem apenas um metro. Os ribeirinhos contam com a fé para tentar salvar o Rio Grande. Entre cantorias e cortejos, pedem chuva.

Pelo menos três vezes por dia, alguns moradores vão até o Rio Grande, enchem garrafas pets e começam uma cantoria que toma conta das ruas do povoado. A cantoria é uma oração ao Rio Grande, que além de fornecer alimento para toda a comunidade, também é a única fonte de água da região. O ponto final do cortejo é o cruzeiro que fica em frente à igreja do povoado.

"Molhamos o cruzeiro (com as águas do rio). O restante da água a gente molha a porta da igreja. Quando a gente inicia esse trajeto de penitência, no terceiro e quarto dia sempre chove", diz Lusimere Batista Lima, coordenadora da Igreja Nossa Senhora Santana. O Rio Grande tem 580 km de extensão e é o principal afluente do Rio São Francisco, na região oeste da Bahia.

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