'Comeu banana com casca': resgate de família em cárcere espanta vizinhos, VÍDEO - MACAUBENSE LIFE

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sábado, 30 de julho de 2022

'Comeu banana com casca': resgate de família em cárcere espanta vizinhos, VÍDEO


A mulher de 22 anos liberada no dia (28) pela PM de um cárcere privado junto com a mãe e o irmão, de 19 anos, chegou a comer uma banana que lhe foi oferecida com casca, além de biscoitos caídos do chão, relataram os vizinhos das vítimas, moradores de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, que testemunharam o resgate e se espantaram com o quadro insalubre e de fome do trio.

A vizinha Maiara da Silva, 29, contou que a libertação do trio foi chocante para quem acompanhava. "A menina me chocou muito. Ela comeu uma banana com casca e tudo, comia o que caia no chão. A mãe estava com o rapaz no colo e chegou a cair com ele de tanta fraqueza. Apesar disso tudo, as crianças sorriam", contou a vizinha, destacando a felicidade de serem libertos.

A mãe e os dois filhos foram vítimas de cárcere privado por 17 anos pelo marido e pai do casal de jovens. Ele foi preso em flagrante no local. Maiara lembrou que ainda era criança na última vez que havia visto a família na rua.

"Eu me lembro de ter visto eles na rua algumas vezes, mas eu ainda era criança. Pareciam um casal normal. Depois de um tempo passaram a não sair mais de casa e nunca mais os vi, mas sabíamos que estavam na casa".

Outra vizinha, Viviane Alves, contou que era comum ouvir música alta vindo do imóvel da família. Para ela, a música era para abafar o som dos maus-tratos.

"O som alto era para ninguém ouvir os pedidos de ajuda da mulher, o som da maldade que ele fazia com a família. A saída deles foi uma cena muito triste. Foi deplorável", lamentou a moradora

Pedido de ajuda
Os vizinhos relataram ainda que ao tomarem conhecimento do caso, acionaram o Poder Público, mas que nada havia sido feito até a chegada da PM ontem no local. O vizinho Sebastião Gomes, 72, contou que chegou a encontrar a mulher no portão e que ela relatou que a família passava fome.
O local onde o homem mantinha a família prisioneira não possuía infra-estrutura básica e foi considerado insalubre pela polícia

Na última quarta-feira (27), o morador comprou pão para eles, mas soube depois pela mulher que o marido havia jogado fora.

"A mulher ficava na porta pedindo ajuda. Os pães que comprei, a mulher me disse que ele jogou tudo fora e que todos estavam sem comer. Ontem, todo mundo aqui chamou a polícia".
Jovens com aparência de crianças

O capitão William da Polícia Militar, responsável pelo resgate, contou, que os filhos do casal foram encontrados amarrados e que apesar da maioridade, os dois pareciam crianças devido ao tratamento subumano ao qual eram submetidos. A casa onde a família vivia foi descrita como insalubre e sem condições para moradia.

"Chegamos ao local após uma denúncia anônima e nos deparamos com as crianças amarradas. A nossa compreensão na hora era de que se tratava de crianças. O rapaz estava no colo da mulher. Só tivemos ciência da idade quando a gente viu os registros deles".

Os documentos foram encontrados no imóvel. Devido à situação de saúde debilitada da família, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os três apresentavam quadro grave de desnutrição e desidratação. Segundo a pasta, "eles estão estabilizados e recebendo todos os cuidados clínicos necessários, além do acompanhamento dos serviços social e de saúde mental".

Ainda de acordo com o capitão da PM, o homem preso no local informou que era trabalhador e alegou que os filhos tinham problemas psicológicos e por isso precisavam ficar amarrados. Ele foi preso e autuado pelos crimes de tortura cárcere privado e maus-tratos.

Procurada, a direção da Clínica da família Alkindar Soares Pereira Filho informou que notificou a suspeita de maus-tratos em 2020 ao Conselho Tutelar da região. Já o Conselho Tutelar disse que acompanha o caso há dois anos e que o Ministério Público e polícia foram acionados, mas nada foi feito até então.

Procurado, o MP disse que tomou ciência dos fatos em março de 2020 e que foi informado pelo Conselho Tutelar que o órgão "havia tomado todas as medidas pertinentes, sobretudo, quanto à notícia dos fatos ao 27º Batalhão da Polícia Militar e à Polícia Civil, gerando, inclusive, registro de ocorrência com vistas à cessação da prática do crime de cárcere privado" e que "não houve nenhuma informação posterior no sentido de que a violência não fora estancada, motivo pelo qual, está sendo apurada a atuação posterior do Conselho do Tutelar e da rede de proteção".


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