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quinta-feira, 30 de julho de 2020

Um mau negócio da China: Prefeitura do Rio compra EPIs imprestáveis de empresa gigante de Pequim

No Diário Oficial da última segunda-feira (27), a Secretaria municipal de Saúde do Rio exigiu que a China Meheco Corporation explique por que as máscaras KN-95 que vendeu não são próprias para o uso de profissionais de saúde no atendimento à Covid-19.


Outra notificação publicada no DO diz que a empresa também tem que esclarecer o motivo de as máscaras cirúrgicas que entregou terem chegado em embalagens plásticas sem as informações básicas, como o nome do fabricante, marca, composição, lote e validade.

Até os óculos de proteção que a chinesa vendeu não atendem às especificações do termo de referência.

O pior é que a Prefeitura do Rio não só recebeu o material, como já pagou pela maior parte do contrato.

Segundo o portal de transparência do município, o processo 09/001.837/2020 custou R$ 54,5 milhões aos cofres públicos, dos quais R$ 45,9 milhões já foram empenhados — e R$ 40,3 milhões, efetivamente pagos.

O então subsecretário de Gestão, Ivo Remuszka Jr (hoje diretor da RioSaúde), assinou uma declaração assumindo a responsabilidade pela compra, efetuada na ausência da secretária Ana Beatriz Bush — que esteve afastada para tratamento da Covid-19.
O dono do cofre

Os EPIs da China foram comprados com recursos da fonte 196 — ou seja, do Ministério da Saúde. E a União já cobrou explicações.

Para piorar, peças orçamentárias e publicações referentes ao negócio ganharam, no meio do caminho, o número de um outro processo, o 09/001. 492/2020 — que trata de quatro fornecedores nacionais. A secretaria alega que o home office provocou a confusão, mas que o engano já foi desfeito.

Nos últimos dias, a turma da Saúde andou de cabeça para baixo, tentando colocar ordem no galinheiro.
E a coleguinha?

E por falar no Ministério da Saúde, funcionários da unidade da RioSaúde de Laranjeiras estão ansiosos para conhecer a nova colega Stephanie Pazuello, filha do ministro Eduardo Pazzuelo.

Dizem as péssimas línguas que a moça tem ficado na secretaria, para ajudar a organizar os tais (enrolados) processos da pandemia.
Gigante de má fama

A compra mal fadada de EPIs não foi a primeira da Prefeitura do Rio com a Meheco Co: em 2019, foram mais R$ 302,9 milhões em contratos para a importação de equipamentos.

A empresa, fundada em 1984, faz parte da China General Technology Holding, um conglomerado com mais de 45.000 funcionários.

Além do Brasil, seus clientes mais importantes são Cuba, México, Equador, Colômbia e Venezuela.
Mas as relações nem sempre são fáceis — e transparentes.
Na Argélia, compras para o combate ao coronavírus resultaram em escândalo e cadeia.

Na Venezuela, depois de anos de contratos multimilionários, o sistema de saúde hoje é refém da gigante de Pequim — as fábricas locais foram esmagadas. E tudo piorou durante a pandemia.

Nem é preciso ir longe. O Ministério Público investiga a incompatibilidade dos ventiladores pulmonares comprados pela vizinha Niterói com China Meheco para o tratamento de pacientes com Covid-19.


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